MP aponta omissão de socorro na conduta de jovem que deixou amigo para trás em trilha no Pico Paraná
Promotoria diverge de conclusão da Polícia Civil e aponta possível crime por jovem

Foto: Reprodução / Redes Sociais
O Ministério Público do Paraná (MP-PR) tomou uma decisão, nesta quinta-feira (15), no inquérito que investigava o desaparecimento do jovem Roberto Farias Tomaz, de 19 anos, após ele se perder em uma trilha no Pico do Paraná. Segundo informações divulgadas pelo G1, o órgão entendeu que há indícios do crime de omissão de socorro por parte da "amiga" Thayane Smith, que acompanhava o jovem na trilha.
A conclusão foi apresentada pela 2ª Promotoria de Justiça de Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, o que diverge do entendimento da Polícia Civil do Paraná (PC-PR), que já havia arquivado o inquérito por não identificar a ocorrência do crime.
O caso do jovem veio à tona dia 1° de janeiro, quando Roberto foi dado como desaparecido durante a trilha. Ele ficou desaparecido durante cinco dias, mesmo com equipes de resgate sendo mobilizadas. Segundo os relatos, o jovem percorreu cerca de 20 quilômetros, seguindo o rio Cacatu, até chegar a uma fazenda em Antonina, no litoral do estado, na segunda-feira (5), onde foi socorrido. No local, ele pediu um celular emprestado e ligou para sua irmã informando que estava vivo.
Thayane, que esteve com Roberto no início da trilha, admitiu publicamente que havia deixado Roberto para trás pois "ele era lento e atrapalhava", mesmo ciente de que o rapaz estava em uma situação de risco. Por isso, o MP aponta a prática do crime de omissão de socorro, caracterizado quando alguém deixa de prestar ajuda ou de acionar as autoridades, mesmo sabendo que outra pessoa está em grave e iminente perigo, desde que isso possa ser feito sem risco pessoal.
"Mesmo após a constatação da situação de vulnerabilidade da vítima e dos riscos que ele corria, a jovem permaneceu sem a intenção de auxiliar nas buscas, demonstrando 'interesse apenas em seu próprio bem-estar físico' mesmo após ser alertada dos riscos da situação por outros montanhistas", afirma o MP.
Além disso, o documento aponta que a conduta de Thayane apresenta dolo, ou seja, intenção consciente e voluntária de cometer o ato ilícito. Isso porque ela sabia que Roberto estava com a saúde debilitada, tendo inclusive vomitado durante a subida.
Varela Net agora mais perto de você: receba as notícias em tempo real no seu WhatsApp clicando aqui.


