Lula rebate Trump sobre facções e afirma: “Terrorismo foi o Bolsonaro tentando dar o golpe”
Durante agenda de segurança no Rio, presidente rejeitou classificação de grupos criminosos como terroristas pelos EUA e apresentou medidas para combater o crime organizado

Foto: Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contestou, neta seta-feira (18), a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelo governo de Donald Trump. Durante evento no Rio de Janeiro, Lula afirmou que os ataques de 8 de janeiro de 2023 e a tentativa de golpe de Estado deveriam ser associados ao conceito de terrorismo de Estado.
"Eu não aceito a ideia de que as facções bandidas são terroristas, como diz o Trump", declarou o presidente.
Na sequência, Lula mencionou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o plano de assassinato de autoridades investigado no contexto da tentativa de golpe. Segundo ele, a ação teria como alvos o próprio presidente, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
“Isso é terrorismo, pensando em matar Lula, Alckmin e matar até o Alexandre Moraes. Esse era o plano”, afirmou.
Apesar de rejeitar a classificação defendida pelo governo norte-americano, Lula reconheceu que a atuação de grupos criminosos provoca medo e intimidação entre moradores de comunidades.
O presidente citou situações como a cobrança de taxas ilegais, a violência nas proximidades de escolas e as restrições à circulação de moradores.
“Esse é terrorismo, que vive todo mundo assustado, desde uma criança levantar cedo para ir para a escola, o pai e a mãe”, disse.
Durante o evento, Lula também apresentou os principais eixos de uma estratégia integrada de enfrentamento ao crime organizado no Rio de Janeiro, com participação dos governos federal, estadual e municipal.
O plano prevê três frentes: sufocar a logística e a mobilidade das organizações criminosas, retomar territórios sob domínio de grupos ilegais e fortalecer a capacidade de atuação das capitais e dos municípios mais populosos.
“Esse é o compromisso nosso, deixar o Rio de Janeiro livre da bandidagem, para que a sociedade possa se movimentar com essa tranquilidade”, declarou.
Segundo informações divulgadas sobre a iniciativa, a proposta prevê ações coordenadas de inteligência, investigação e monitoramento, com foco em áreas estratégicas e na recuperação de territórios controlados por facções, milícias e outras organizações criminosas.
A declaração ocorre em meio a divergências entre os governos brasileiro e norte-americano sobre o enquadramento do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
O governo dos Estados Unidos incluiu os grupos nessa categoria, enquanto o governo brasileiro contesta a classificação e defende o combate ao crime organizado por meio de cooperação e instrumentos próprios de segurança pública.
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