Homem com doença de Parkinson encontra nas maquetes uma paixão
Hobby ajuda a lidar com a doença e auxilia no controle dos movimentos

Réplica de miniatura de César Amoedo |Foto: César Amoedo
Aos 62 anos, o aposentado César Amoedo convive com a doença de Parkinson há cerca de uma década. No dia a dia, encontrou no modelismo mais do que um passatempo: uma forma de estimular o corpo e a mente, mesmo diante das limitações.
A paixão começou aos 15 anos, quando foi em uma loja com a avó e a mãe e se encantou por um avião em miniatura, dando início ao hobby.
O diagnóstico veio em 2016, após os primeiros sinais, como constipação e tremores na mão direita. Segundo ele, aceitar a condição não foi simples, mas a adaptação se tornou necessária para seguir em frente.
Diante das dificuldades, o artista persistiu no hobby para manter a habilidade das mãos. Em alguns momentos, chega a apoiar ou prender a mão para conseguir manter a firmeza necessária durante a montagem das peças.
“Antigamente, eu levava cerca de um mês. Hoje em dia, uma peça pode levar de 6 meses a 1 ano por causa dos tremores”, relata.
O artista nunca cogitou em abandonar o modelismo. A atividade, além de prazerosa, se tornou essencial na rotina.
César afirma ter Parkinson Full, considerado um quadro mais agressivo, com sintomas que vão além dos motores, como episódios de mal-estar, depressão e labirintite. Atualmente, faz uso de cerca de 30 cápsulas por dia.
No Brasil, a realidade de quem convive com Parkinson é significativa. Um estudo publicado pela revista científica The Lancet Regional Health – Americas, realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), aponta que mais de 500 mil pessoas com 50 anos ou mais vivem com a doença no país.
De acordo com um dos autores da pesquisa, o neurologista Artur Schuh, a falta de diagnóstico precoce e o acesso limitado a especialistas contribuem para o avanço dos casos.
Apesar dos desafios, César já produziu cerca de 800 maquetes ao longo da vida. Suas obras retratam cenários históricos, como tanques, aviões de combate, navios e submarinos, e já fizeram parte de uma exposição, carregando momentos marcantes
Para ele, manter uma atividade é fundamental. A recomendação é buscar qualidade de vida e encontrar algo que ajude a enfrentar as limitações do dia a dia.
“Apesar de tudo, eu sou feliz”, conclui o artista.
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