Flávio Bolsonaro defende fim de sigilo no caso Dark Horse e nega irregularidades
Senador afirma que abertura dos documentos deve comprovar que financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro foi privado e não teve ilegalidades

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta sexta-feira (11) que considera positiva a retirada do sigilo do inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Durante entrevista coletiva em Manaus, Flávio defendeu que todos os documentos sejam disponibilizados e disse acreditar que a medida irá confirmar que não houve irregularidades na produção.
“Eu sempre disse que a relação ali com relação ao filme é uma relação privada, é um patrocínio privado ao filme do presidente Bolsonaro que está pronto. Para mim é muito positivo tirar sigilo de tudo, eu quero transparência em tudo, porque vai só confirmar o que eu sempre falei, que não tem justamente nada de errado com relação ao filme”, afirmou.
Flávio passou a ser formalmente investigado no caso em julho, por determinação do ministro André Mendonça, do STF. A informação se tornou pública após o ministro retirar o sigilo de parte das investigações relacionadas ao Banco Master e ao financiamento da cinebiografia.
A Polícia Federal apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros possíveis crimes relacionados aos recursos destinados ao filme. Segundo os investigadores, Flávio aparece como “interlocutor direto” de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, em tratativas envolvendo aportes para a produção.
Documentos da investigação apontam que os contatos entre os dois teriam ocorrido em diferentes momentos. Em setembro de 2025, por exemplo, Flávio teria enviado um áudio a Vorcaro cobrando pagamentos para o filme e demonstrando preocupação com possíveis atrasos junto ao ator Jim Caviezel e ao diretor Cyrus Nowrasteh.
Em outubro, segundo a PF, o senador voltou a cobrar os repasses e afirmou que a produção estava “no limite”. Os investigadores também identificaram uma ligação entre Flávio e Vorcaro em 16 de setembro de 2025, mesma data em que foi registrada a última transferência identificada pela PF da Entre Investimentos para o Havengate Development Fund, nos Estados Unidos, apontado como um dos veículos utilizados no financiamento do longa.
A Polícia Federal ressalta, porém, que a coincidência entre a ligação e a transferência, isoladamente, não comprova que a conversa tenha provocado o envio dos recursos.
De acordo com a investigação, o acordo de financiamento localizado nas comunicações de Vorcaro previa investimento total de US$ 24 milhões. Ao longo de 2025, os investigadores identificaram US$ 12,33 milhões em transferências da Entre Investimentos para o fundo nos Estados Unidos.
Flávio nega qualquer irregularidade e afirma que os recursos destinados ao filme eram privados. O senador também diz que não recebeu dinheiro diretamente e que a produção não envolveu recursos públicos.
“No filme do Bolsonaro não tem um real, não tem nada para Flávio, tem patrocínio para um filme privado. Então, quanto mais transparência tiver, eu vou achar muito melhor essa transparência”, declarou.
Durante a entrevista, Flávio pediu ao próprio Mendonça que retire integralmente o sigilo dos documentos. “Eu peço ao ministro André Mendonça: abra o sigilo, o sigilo de tudo, mostra tudo pro povo, merece saber e diferenciar quem está certo, que é o meu caso, de quem está errado, que é o caso do governo”, afirmou.
Além do inquérito relatado por Mendonça, o financiamento de “Dark Horse” também é investigado em outra frente no STF, sob relatoria do ministro Flávio Dino. Nesse caso, a Polícia Federal apura se a produtora responsável pelo filme utilizou recursos de emendas parlamentares para bancar a produção.
Varela Net agora mais perto de você: receba as notícias em tempo real no seu WhatsApp clicando aqui.


