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O lento avanço na batalha contra o HIV e a AIDS

Ainda há muito a fazer para erradicar essa doença 

| Autor: Bruno Oliveira

Foto: Reprodução

No último domingo 1º de dezembro, foi o Dia Internacional da Luta Contra a AIDS, o mundo voltou os olhos para uma batalha que já dura mais de quatro décadas. Embora grandes avanços tenham sido alcançados no tratamento e prevenção do HIV, o progresso ainda enfrenta desafios financeiros, sociais e científicos.

Um dos temas mais debatidos recentemente é o lenacapavir, um medicamento revolucionário desenvolvido pelo laboratório Gilead. Com uma eficácia inédita tanto na prevenção quanto no tratamento do HIV, a droga é vista como uma esperança para milhares de pessoas. Contudo com o seu preço muito alto cerca de US$ 40 mil anuais (R$ 232 mil) por pessoa, limita muito o acesso a muitas pessoas. 

Sob pressão de organizações globais de combate à AIDS, a Gilead anunciou, em outubro, a liberação da produção de versões genéricas do medicamento em países mais pobres. Mas mesmo com essa medida, especialistas alertam que as barreiras não são apenas econômicas. Em muitos locais, a implementação de tratamentos preventivos, como a PrEP (profilaxia pré-exposição), esbarra no estigma social e na criminalização de populações vulneráveis.

“Fazer com que pessoas de alto risco reconheçam que estão em risco é um grande desafio em países onde o preconceito ainda prevalece”, apontou um artigo da The Lancet Global Health em 2021.

Outro grande obstáculo no combate à AIDS é o diagnóstico tardio. Muitas infecções são identificadas em estágios avançados, dificultando o tratamento e aumentando o risco de complicações graves.

A pesquisa de vacinas, por sua vez, continua sendo uma meta ambiciosa, mas até agora não produziu resultados concretos. Com tratamentos preventivos cada vez mais eficazes, como o próprio lenacapavir, alguns especialistas questionam se a necessidade de uma vacina é tão urgente quanto antes.

“Já não temos, no fundo, uma vacina?”, perguntou Yazdan Yazdanpanah, infectologista e diretor da ANRS, instituto francês pioneiro no combate à AIDS, em uma coletiva recente. Ainda assim, ele destacou que os estudos não devem ser abandonados.

Casos de remissão total do HIV, embora chamem a atenção, ainda são raríssimos e dependem de procedimentos arriscados, como transplantes de células-tronco. Esses tratamentos, viáveis apenas em condições extremamente específicas, não representam uma solução escalável para a maioria dos pacientes.

A luta contra o HIV e a AIDS avança lentamente, mas cada passo representa uma vitória. O acesso ampliado a medicamentos, a redução do estigma social e os esforços globais de conscientização continuam sendo fundamentais para alcançar o objetivo final: um mundo livre do HIV.

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