Saída do PP e União Brasil do governo Lula enfrenta resistência por causa da Caixa
Federações dos partidos planejam romper com o Planalto, mas Arthur Lira é entrave central

Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES
O União Brasil e o Progressistas (PP) anunciaram a criação de uma federação partidária e pretendem atuar em conjunto pelos próximos quatro anos. A decisão abre caminho para que as siglas deixem os ministérios que ocupam no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), selando um rompimento com o Palácio do Planalto.
No entanto, a saída não será simples. Segundo o portal Metrópoles, há forte resistência dentro do PP em abrir mão do comando da Caixa Econômica Federal, presidida por um indicado do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL). O banco é considerado estratégico pelo Centrão, já que administra programas sociais de grande alcance, como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida.
De acordo com aliados, o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, tem repetido que a sigla oficializará sua saída até a próxima quarta-feira (3). Antes, Rueda ainda deve se reunir com o líder do PP, Ciro Nogueira, para alinhar posições. O desafio, porém, será convencer o partido a entregar a Caixa, considerado o ponto mais sensível da negociação.
Outro foco de resistência é o ministro do Esporte, André Fufuca (PP-MA), que, segundo interlocutores, ainda busca se manter no governo. Ele é cotado para disputar uma vaga no Senado em 2026 e avalia que o apoio de Lula poderia ser decisivo no Maranhão.
Já o União Brasil abriu mão da maioria das indicações que possuía em cargos estratégicos, como a direção da Codevasf e do Denocs. A principal indefinição é o futuro do ministro do Turismo, Celso Sabino, que ocupa o cargo por indicação da bancada do partido na Câmara.