Rubio se aproxima de Lula após discurso na ONU, mas não consegue falar com presidente
Cena aconteceu nos corredores da Assembleia Geral e foi registrada por câmeras; Itamaraty diz que houve apenas um cumprimento entre o secretário americano e Mauro Vieira

Foto: Ricardo Stuckert/ Redes Sociais/@secrubio
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, se aproximou do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta terça-feira (22), após os discursos da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. O momento foi registrado por câmeras e mostra Rubio caminhando em direção à delegação brasileira, enquanto Lula seguia pelo corredor acompanhado do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Nas imagens, Rubio chega perto de Lula e aponta em direção ao presidente. Lula olha rapidamente para o secretário americano, mas continua caminhando e, pouco depois, cumprimenta outra pessoa. Rubio então interage brevemente com Mauro Vieira, sem que a delegação brasileira pare. A cena também foi registrada pela imprensa que acompanhava a movimentação no local.
Segundo o Itamaraty, porém, não houve uma tentativa deliberada de impedir o acesso de Rubio a Lula nem uma decisão do presidente brasileiro de se afastar do secretário americano. A pasta afirmou que se tratou de uma situação tumultuada, com diversas autoridades deixando o plenário ao mesmo tempo, e classificou a interação como um cumprimento entre Rubio e Mauro Vieira.
A cena ocorreu em meio ao histórico recente de divergências entre Lula e Rubio. Em julho, o secretário americano afirmou que o presidente brasileiro e seu governo não haviam negociado com os Estados Unidos de “boa-fé” durante as tratativas comerciais. Na ocasião, o Itamaraty rebateu as declarações e classificou os comentários de Rubio como “inaceitáveis e ofensivos”.
Lula também já havia feito críticas públicas a Rubio. Em junho, o presidente chamou o secretário americano de “latino-americano frustrado”, em referência à origem cubana de Rubio. O episódio foi acompanhado, à época, por manifestações do Itamaraty no sentido de separar as declarações públicas de Lula da relação institucional mantida entre Rubio e Mauro Vieira.
As divergências entre os dois governos também envolvem as eleições brasileiras. Durante seu discurso na ONU nesta terça-feira, Lula defendeu a soberania do processo eleitoral e afirmou que o Brasil não permitirá interferências externas. O presidente também declarou que as eleições de outubro representarão uma escolha entre “democracia e negacionismo”.
Apesar do episódio nos corredores da ONU, Brasil e Estados Unidos mantêm canais de negociação sobre questões comerciais e diplomáticas. A cena envolvendo Lula e Rubio ocorre, portanto, em um momento de relações marcadas por divergências públicas, mas também por tratativas entre os dois governos.
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