Lula promete “acabar com as bets” e critica clubes: “O que eu não posso perder é a vida dos jovens jogando”
Presidente relacionou apostas ao endividamento e ao vício, além de contestar possíveis prejuízos ao futebol brasileiro com o fim das plataformas

Foto: Ricardo Stuckert
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou nesta sexta-feira (18), durante um comício em Guarulhos, na Grande São Paulo, que pretende acabar com as casas de apostas online, conhecidas como bets. Em discurso de campanha, o petista relatou casos de pessoas que acumularam dívidas e enfrentaram situações extremas por causa do vício em jogos.
“Se depender da minha vontade pessoal, eu vou acabar com as bets nesse país. É a coisa mais horrorosa que eu vi na vida”, declarou Lula. O presidente classificou a prática como uma doença, citando a ludopatia, e afirmou que a preocupação do governo deve estar voltada aos impactos das apostas sobre a população, especialmente os mais pobres.
Durante a fala, Lula mencionou o caso de um pequeno empresário que, segundo ele, acumulou uma dívida de R$ 2,2 milhões com apostas. O presidente afirmou que o homem teria vendido a própria loja, um carro e até um terreno do pai para tentar quitar os débitos.
Lula também relatou ter conhecido uma jovem que teria tentado tirar a própria vida três vezes em razão do vício. “Não é possível a gente ver meninas e meninos devendo o que não tem, devendo o que não recebe de salário, na expectativa de ficar rico, na expectativa de melhorar de vida”, afirmou.
O presidente ainda criticou a relação entre as plataformas de apostas e o futebol brasileiro. A declaração ocorreu após clubes e entidades do setor divulgarem um manifesto contra possíveis medidas do governo para restringir ou proibir as bets. As equipes argumentam que uma proibição poderia provocar perdas significativas em receitas de patrocínio.
Lula citou clubes como Flamengo, Corinthians, Santos, Grêmio, Internacional e São Paulo, lembrando que as equipes conquistaram títulos mundiais antes da expansão das casas de apostas. “Esse negócio de que se acabar com a bet vai acabar com o futebol é uma balela”, disse.
O petista afirmou que pretende conversar com os clubes sobre o assunto e defendeu que o combate às apostas também alcance possíveis práticas de lavagem de dinheiro e outras irregularidades. “A gente pode perder imposto. O que eu não posso perder é a vida dos pobres jogando”, declarou.
O governo federal avalia novas medidas para restringir o setor, com possibilidades que incluem a proibição de jogos online e mudanças nas regras para as apostas esportivas. O formato definitivo de uma eventual medida provisória ainda não foi divulgado.
A mobilização dos clubes ocorre porque as casas de apostas se tornaram importantes fontes de patrocínio no futebol brasileiro. Segundo estimativas divulgadas durante a reação ao possível bloqueio do setor, os contratos de patrocínio master com empresas de apostas representam aproximadamente R$ 1 bilhão para clubes da Série A.
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