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Lula aceita condições de Flávio Bolsonaro e desafia senador a abrir sigilos de aliados

Coordenador da campanha petista afirma que presidente não se opõe às exigências do senador e promete resposta oficial ao TSE nesta quinta-feira

| Autor: Redação - Varela Net
Lula aceita condições de Flávio Bolsonaro e desafia senador a abrir sigilos de aliados

Foto: Ricardo Stuckert/Charles Vieira

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (21) que aceita as condições apresentadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) para a abertura de sigilos bancário, fiscal e telefônico dos dois candidatos à Presidência. A resposta surpreende ao sinalizar que o petista não pretende recuar diante das exigências do adversário, que incluem dados de familiares, assessores e empresas ligadas ao presidente.

O coordenador político da campanha de Lula, senador Camilo Santana (PT-CE), declarou que o presidente não faz objeção às condições apresentadas por Flávio, desde que o candidato do PL também cumpra o compromisso de abrir os próprios dados e os de seus familiares.

“Todas as condicionantes, a única resposta é que o presidente não se opõe em absolutamente nada ao que ele colocou, contanto que ele faça”, afirmou Santana.

O senador também disse que a campanha petista vai protocolar a resposta oficial no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 11h desta quinta-feira (22). Para ele, as exigências de Flávio representam uma tentativa de manobra política.

“Se não tem nada a dever, que ele cumpra o que o presidente propôs. O presidente não tem nada a se opor ao que ele colocou como condicionantes”, declarou.

O que Flávio exige de Lula

Flávio apresentou ao TSE uma autorização para a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 20 anos, mas condicionou a medida à divulgação de informações sobre pessoas e empresas ligadas a Lula.

Entre as exigências estão a abertura de dados do Instituto Lula, de empresas ligadas aos filhos do presidente e de assessores próximos, como Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete da Presidência.

O senador também pede informações sobre reuniões entre Lula e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, registros de visitantes no Palácio do Planalto, gastos do cartão corporativo da Presidência e agendas institucionais da primeira-dama, Janja. A lista inclui ainda dados relacionados à lobista Roberta Luchsinger e ao sindicalista Frei Chico, irmão do presidente.

Lula já havia autorizado abertura de sigilos

Na terça-feira (20), Lula apresentou ao TSE um documento autorizando a divulgação de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, além dos dados de familiares, referentes aos últimos oito anos. A iniciativa foi condicionada à reciprocidade de Flávio Bolsonaro.

A autorização inclui Janja e os cinco filhos do presidente. Lula também exige que o adversário permita a divulgação de dados de familiares, além de informações sobre empresas ligadas ao senador.

Flávio, por sua vez, é alvo de investigações no Supremo Tribunal Federal (STF) relacionadas a suspeitas de lavagem de dinheiro e ao financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. As investigações não representam, por si só, comprovação de irregularidades.

A resposta formal da campanha de Lula ao TSE deve esclarecer como o presidente pretende atender às condições apresentadas pelo adversário. A eventual divulgação dos dados dependerá dos procedimentos legais aplicáveis e das decisões das autoridades competentes.

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