Governo Lula tenta evitar influência de Flávio Bolsonaro em negociação para barrar tarifa dos EUA
Planalto aposta em articulação técnica com autoridades americanas e estabelece o dia 15 de julho como prazo para tentar impedir a aplicação da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

Foto: Ricardo Stuckert
Temendo um novo tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) definiu uma estratégia para manter as negociações em nível técnico e evitar interferências políticas, incluindo eventuais articulações do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Segundo informações de bastidores, o Palácio do Planalto estabeleceu o dia 15 de julho como prazo para tentar convencer o governo norte-americano a recuar da proposta de impor uma tarifa de 25% sobre produtos importados do Brasil.
A estratégia do governo é concentrar o diálogo com técnicos da administração dos Estados Unidos, buscando impedir que divergências ideológicas interfiram nas tratativas comerciais.
De acordo com assessores da área internacional do governo, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) já manifestou, em diferentes ocasiões, que considera inadequada a politização das negociações comerciais, defendendo que as discussões sejam conduzidas com base em critérios técnicos.
Com isso, o governo brasileiro intensificou os contatos com diplomatas e integrantes do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, na tentativa de preservar as negociações da influência de setores ligados ao Departamento de Estado, comandado pelo secretário Marco Rubio, que mantém proximidade com a família Bolsonaro.
Paralelamente, Flávio Bolsonaro também buscou atuar sobre o tema. No início de junho, o senador enviou uma carta ao secretário Marco Rubio pedindo que os Estados Unidos não adotassem o aumento das tarifas contra os produtos brasileiros.
Na resposta encaminhada ao parlamentar, Rubio afirmou que o governo americano mantém uma investigação em andamento sobre práticas comerciais do Brasil e destacou que ainda existem divergências relevantes entre os dois países nas áreas econômica e comercial.
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