Flávio Bolsonaro aceita abrir sigilos, mas impõe condições a Lula
Senador quer acesso a dados de familiares, assessores e empresas ligados ao presidente, além de informações sobre o cartão corporativo de Janja

Foto: Charles Vieira/Ricardo Stuckert
O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, protocolou nesta quarta-feira (21) uma petição no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em resposta ao desafio feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a abertura de sigilos bancário, fiscal e telefônico. Flávio afirmou que aceita liberar os próprios dados, mas condicionou a medida à divulgação de informações de familiares, assessores e empresas ligados ao adversário.
O senador autoriza a abertura de seus sigilos dos últimos 20 anos, incluindo dados de familiares citados na proposta e de empresas das quais é sócio ou administrador. Ele também afirma não se opor à divulgação de mensagens trocadas com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Entre as exigências feitas a Lula estão a abertura dos sigilos do Instituto Lula, a divulgação de gastos do cartão corporativo da Presidência e da primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, além de informações relacionadas a empresas de familiares do presidente. Flávio também pede acesso aos dados de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete da Presidência.
Durante agenda de campanha em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, o senador justificou a exigência ao questionar o uso de terceiros em contatos atribuídos ao presidente.
“Então eu abro meu sigilo do telefone, sim, mas o Marcola tem que abrir o dele, concorda?”, declarou.
Flávio também defendeu a divulgação de informações sobre o Instituto Lula e os gastos do cartão corporativo. Na petição, a defesa do senador classificou a proposta inicial do adversário como uma “promessa vazia” e argumentou que a transparência deveria alcançar pessoas e empresas que, segundo a campanha, poderiam ter informações relevantes sobre relações financeiras.
Na terça-feira (20), Lula protocolou no TSE e no Supremo Tribunal Federal (STF) um documento autorizando a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, além dos dados de familiares e de uma empresa ligada a ele. A autorização foi condicionada à reciprocidade de Flávio e abrange os últimos oito anos.
O documento inclui a primeira-dama Janja e os cinco filhos do presidente, entre eles Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Lula havia lançado o desafio durante o debate presidencial da TV Bandeirantes, realizado no domingo (18).
Na petição apresentada nesta quarta, Flávio pediu que o TSE intime o adversário a informar se aceita as condições propostas. Caso Lula não concorde, o senador quer que a recusa seja registrada no processo.
Até o momento, a apresentação das autorizações não significa que todos os dados serão automaticamente divulgados. A efetivação da medida e o alcance das informações dependem dos procedimentos e das decisões das autoridades competentes.
Varela Net agora mais perto de você: receba as notícias em tempo real no seu WhatsApp clicando aqui.


