Eduardo Bolsonaro rebate ordem da Polícia Federal para reassumir cargo de escrivão
Ex-deputado foge da determinação, critica PF e diz que não pretende voltar ao Brasil

Eduardo Bolsonaro |Foto: Lula Marques/Agência Brasil
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) reagiu com críticas duras à determinação da Polícia Federal (PF) que ordenou seu retorno imediato ao cargo de escrivão da corporação. A ordem, publicada no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (2), foi emitida depois que ele perdeu o mandato na Câmara dos Deputados por excesso de faltas às sessões deliberativas e, consequentemente, o afastamento legal de suas funções policiais deixou de valer.
Por meio de um vídeo e postagens nas suas redes sociais, Eduardo afirmou que não pretende se submeter à decisão e criticou duramente a PF ao comparar a corporação a uma polícia secreta nazista, utilizando o termo “Gestapo”. Ele também disse que não abrirá mão do cargo “de mãos beijadas” e chamou a determinação de reflexo da “perseguição judicial” de que, segundo ele, é alvo no Brasil.
O ex-parlamentar argumentou ainda que o decreto foi publicado já no dia seguinte à cassação de seu mandato, como se a corporação “já estivesse esperando por isso”, e disse que jamais trocaria sua “honra por um emprego na burocracia pública”. Entre as justificativas para resistir ao retorno, ele mencionou o temor de perder benefícios vinculados ao cargo na PF, como aposentadoria, porte de arma e pistola funcional.
Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde março de 2025, onde diz sofrer uma “perseguição política e judicial” e que o Brasil não vive em “normalidade democrática”. Por isso, afirmou que não tem condições de voltar ao país neste momento, apesar da determinação da PF e do possível risco de sanções administrativas caso não compareça para reassumir suas funções.
A ordem da PF para que ele reassuma o cargo se baseia no fato de que, cessado o mandato eletivo — que garantia o afastamento —, a função de escrivão deve ser retomada para fins de regularização formal. A corporação advertiu que a ausência injustificada poderá resultar em medidas disciplinares previstas no estatuto dos servidores públicos.
O caso ocorre em meio a um contexto mais amplo de impasses legais envolvendo Eduardo Bolsonaro, incluindo o cancelamento de seu passaporte diplomático após a perda de mandato e processos que tramitam no Supremo Tribunal Federal, entre eles um que o acusa de tentar promover sanções internacionais para proteger familiares envolvidos na trama golpista de 8 de janeiro de 2023.
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