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Ciro Nogueira afirma que vai reapresentar “Emenda Master” e volta a criticar operação da PF

Parlamentar também voltou a contestar a atuação da Polícia Federal nas investigações relacionadas ao Caso Master

| Autor: Redação - Varela Net
Ciro Nogueira afirma que vai reapresentar “Emenda Master” e volta a criticar operação da PF

Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O senador Ciro Nogueira afirmou nesta terça-feira (12) que pretende reapresentar a proposta que amplia o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), medida que ficou conhecida como “Emenda Master”. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o parlamentar também voltou a contestar a atuação da Polícia Federal nas investigações relacionadas ao Caso Master e classificou como estranha a decisão de colocar um líder da oposição entre os primeiros alvos da operação.

A proposta defendida por Ciro prevê a elevação da cobertura do FGC, atualmente fixada em R$ 250 mil, para até R$ 1 milhão. Segundo o senador, o valor está defasado e deveria ter sido reajustado ao longo dos últimos anos com base na taxa Selic.

“Tomei a decisão de reapresentar a Emenda corrigindo o valor do FGC, que pela Selic teria que estar acima de R$ 840 mil. Agora não existe mais banco Master, eu quero ver qual a desculpa que os grandes bancos vão utilizar para negar proteção aos correntistas”, afirmou.

O texto da chamada Emenda Master foi apresentado inicialmente em 2024 e acabou sendo citado pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero, investigação que apura suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o Banco Master.

Ao comentar o caso, Ciro rebateu a suspeita de que a proposta teria sido elaborada a partir de um material encaminhado pela assessoria da instituição financeira. O parlamentar sustentou que a medida tem como objetivo ampliar a proteção aos correntistas e destacou que o Fundo Garantidor de Crédito é mantido pelos próprios bancos, sem utilização de recursos públicos.

“Este fundo é completamente privado. Quem financia o fundo são os bancos, não é a União, não tem recursos públicos. Até hoje ninguém veio a público explicar por que esse valor não é corrigido há 13 longos anos, sendo que isso só beneficia os grandes bancos”, argumentou.

Presidente nacional do Progressistas, o senador também criticou o fato de a operação atingir um integrante da oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em meio ao período pré-eleitoral.

“Tem uma coisa que me causou muita estranheza: por que começar essa operação por um líder da oposição? Essas coisas não surgem por acaso, acontecem porque estamos em ano eleitoral. As questões técnicas e provas estão em segundo plano para eles”, declarou.

As investigações da Polícia Federal apontam que a empresa CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., da qual Ciro Nogueira é sócio, teria sido utilizada para intermediar pagamentos em troca de atuação política favorável ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Conforme a apuração, os repasses mensais poderiam alcançar R$ 500 mil.

O irmão do senador, Raimundo Nogueira, responsável pela administração da empresa, também foi alvo da operação e passou a ser monitorado por meio de tornozeleira eletrônica.

No vídeo divulgado nas redes sociais, Ciro comentou pela primeira vez os valores mencionados na investigação e negou ter recebido qualquer quantia ilícita por meio da empresa da família.

“Sobre as acusações de que estou sendo vítima, eu posso garantir: nunca recebi qualquer valor ilícito ou cometi qualquer irregularidade que seja neste caso, ou em qualquer outro. E tem mais: meu pai construiu uma empresa com muito sacrifício e, graças a Deus, ela tem muito sucesso. Agora inventaram que recebi ilegalmente valores por meio dessas empresas. Valores que não chegam sequer a 1% do seu faturamento anual”, afirmou.

Na segunda-feira (11), o senador trocou a equipe jurídica responsável por sua defesa no Caso Master. O escritório que representava o parlamentar informou que a decisão ocorreu “em comum acordo”. Até o momento, não foram divulgados os motivos da mudança nem o nome dos novos advogados que irão conduzir a defesa.

Durante o pronunciamento, Ciro ainda relembrou outras operações policiais das quais foi alvo nos últimos anos. Entre elas, citou a ação da Polícia Federal realizada em setembro de 2018, quando agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em dois imóveis do senador, em Teresina, poucos dias antes do primeiro turno das eleições daquele ano.

Na época, a investigação apurava supostos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro relacionados à Odebrecht. Em 2020, a Procuradoria-Geral da República acusou o senador de receber R$ 7,3 milhões em propina para beneficiar a construtora.

O caso, no entanto, acabou sendo arquivado posteriormente. Em 2023, a própria PGR pediu a rejeição da denúncia ao alegar mudanças na legislação e decisões do STF que invalidaram provas obtidas a partir do acordo de leniência da Odebrecht.

“A investigação correu, quebraram sigilos, buscaram provas e a conclusão do inquérito foi essa. A PGR não viu elementos suficientes para sustentar a acusação e nem indícios mínimos, também concluiu que não foram comprovadas as alegações”, disse o senador.

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