Quadro de saúde de Bolsonaro: causas e medidas médicas para conter crises de soluço
Profissionais que acompanham o tratamento afirmam que o quadro de Bolsonaro exige observação contínua e reavaliação periódica

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
O ex-presidente Jair Bolsonaro, de 70 anos, tem enfrentado um quadro de saúde que mobiliza equipe médica e preocupa familiares e aliados. Desde setembro de 2025, ele apresentou episódios persistentes de soluços intensos, que vieram acompanhados de outros sintomas como vômitos, queda de pressão e dificuldade para dormir, um quadro atípico que levou a múltiplos cuidados médicos e cirúrgicos.
O chamado soluço persistente é caracterizado por contrações do diafragma que não cessam em um período considerado normal geralmente, algumas horas. No caso do ex-presidente, os episódios chegaram a durar dias ou semanas, exigindo avaliações médicas e tentativas de intervenção.
Causas e possíveis gatilhos
Segundo especialistas na área de gastroenterologia, o soluço pode ser desencadeado pela irritação do nervo frênico, que controla o diafragma ou por estímulos que envolvem o trato digestivo e respiratório, como refluxo gastroesofágico, gastrite, cirurgia recente, uso de anestesia e intubação. Embora muitas vezes sejam episódios isolados e sem gravidade, quando persistem por mais de 48 horas podem indicar problemas clínicos subjacentes e necessidade de tratamento especializado.
No caso de Bolsonaro, o histórico inclui uma série de intervenções cirúrgicas, inclusive após o ataque a faca sofrido em 2018, que podem ter deixado sequelas no sistema digestivo e neurológico, além de possíveis gatilhos por medicações e alterações metabólicas.
Medidas médicas adotadas
Nas últimas semanas de dezembro de 2025, Bolsonaro foi internado no Hospital DF Star, em Brasília, para tratar complicações associadas a uma cirurgia de hérnia inguinal bilateral e, principalmente, para tentar conter as crises de soluço que não respondiam apenas ao ajuste de medicamentos.
Entre as intervenções realizadas estão:
Bloqueio anestésico do nervo frênico: procedimento que busca interromper o estímulo que causa os espasmos do diafragma. Embora tente reduzir a intensidade dos soluços, nem sempre garante resultado definitivo.
Ajustes de medicação: além de remédios para soluços, a equipe médica avaliou drogas para refluxo gastroesofágico e outras condições associadas, na tentativa de aliviar o quadro.
Respiroterapia e fisioterapia: parte dos cuidados pós-cirúrgicos incluiu fisioterapia respiratória e uso de CPAP (pressão contínua positiva nas vias aéreas) à noite, para melhorar o padrão de sono e minimizar crises.
No início de janeiro de 2026, Bolsonaro teve alta hospitalar após mais de uma semana de internação, retornando ao local onde cumpre pena. Apesar da melhora clínica e da pressão arterial controlada, ele segue sem solução definitiva para as crises de soluço, que ainda demandam acompanhamento médico.
Além disso, um incidente recente uma queda dentro da cela que resultou em traumatismo craniano leve reforçou a preocupação da equipe médica com os riscos associados ao seu quadro geral de saúde, especialmente em função do uso continuado de medicamentos e das complicações respiratórias e digestivas recentes.
Embora soluços sejam comuns em boa parte da população, os episódios que não cessam por mais de 48 horas são sinal de alerta para especialistas. Eles podem indicar irritações ou lesões no sistema nervoso central ou periférico, estômago, esôfago ou bexiga nervosa, e são mais frequentes em pessoas com histórico de cirurgias, refluxo grave ou problemas digestivos situações que se encaixam no perfil clínico descrito para o ex-presidente.
O que dizem médicos e familiares
Profissionais que acompanham o tratamento afirmam que o quadro de Bolsonaro exige observação contínua e reavaliação periódica das condutas terapêuticas, incluindo possíveis novos procedimentos se os soluços persistirem. Familiares, por sua vez, pedem discrição e orações enquanto aguardam respostas mais claras sobre a origem definitiva dos episódios que marcaram os últimos meses. Até o momento, não há diagnóstico conclusivo que relacione os soluços a uma única causa específica.
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