George Floyd: a morte que transformou o combate ao racismo em movimento global
Assassinato durante abordagem policial provocou protestos históricos, fortaleceu o movimento Black Lives Matter e ampliou o debate sobre violência policial e desigualdade racial

Protestos contra a violência policial após a morte de George Floyd |Foto: Reprodução
Cinco anos após a morte de George Floyd, o caso ainda é lembrado como um dos episódios mais marcantes da luta contra o racismo e a violência policial nos Estados Unidos. Floyd morreu em 25 de maio de 2020, em Minneapolis, depois de ser imobilizado pelo então policial Derek Chauvin durante uma abordagem policial. A cena, gravada por testemunhas, mostrou Chauvin pressionando o joelho contra o pescoço de Floyd por cerca de nove minutos, enquanto ele repetia a frase “I can’t breathe” (“Eu não consigo respirar”). O caso rapidamente ganhou repercussão mundial e se tornou um estopim para o fortalecimento do movimento Black Lives Matter.
A abordagem aconteceu após funcionários de um mercado acusarem Floyd de usar uma nota falsa de 20 dólares. Imagens registradas por moradores circularam pelas redes sociais e provocaram indignação dentro e fora dos Estados Unidos. Durante a ação, Floyd chegou a chamar pela mãe e pediu diversas vezes para que os policiais o deixassem respirar. A morte foi inicialmente tratada pela polícia como um “incidente médico”, mas a divulgação dos vídeos aumentou a pressão popular por justiça.
Dias depois, Derek Chauvin foi preso e acusado de homicídio. Em 2021, ele foi condenado por assassinato e homicídio culposo. Outros três policiais envolvidos na abordagem também responderam judicialmente pelo caso. Durante o julgamento, o então chefe de polícia de Minneapolis, Medaria Arradondo, afirmou que a atitude de Chauvin violou os protocolos da corporação. “Isso não faz parte do treinamento policial e certamente não faz parte da nossa ética”, declarou.
A repercussão do caso gerou uma onda de protestos históricos nos Estados Unidos e em diferentes países. Milhares de pessoas foram às ruas em cidades como Nova York, Los Angeles, Londres e Paris para denunciar o racismo estrutural e a violência contra pessoas negras. Em muitos atos, manifestantes carregavam cartazes com frases como “Black Lives Matter” e “No Justice, No Peace”.
Diversas figuras públicas também se posicionaram sobre o caso. O então presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou após a condenação de Chauvin que a decisão do júri representava “um passo gigante em direção à justiça”. Já o ativista e reverendo Al Sharpton declarou, durante o funeral de Floyd, que “o motivo de estarmos aqui é porque foi tirado tempo demais do pescoço dos nossos filhos”.
O movimento Black Lives Matter, criado em 2013 após a morte de Trayvon Martin, ganhou ainda mais força depois do assassinato de George Floyd. A mobilização ampliou debates sobre desigualdade racial, violência policial e representatividade negra em diferentes setores da sociedade. Empresas, atletas, artistas e organizações passaram a adotar campanhas antirracistas e ações voltadas à diversidade.
Cinco anos depois, porém, ativistas afirmam que os desafios continuam. Embora algumas cidades estadunidenses tenham implementado mudanças em protocolos policiais e políticas de segurança pública, organizações de direitos civis apontam que casos de violência policial contra pessoas negras ainda acontecem com frequência. O nome de George Floyd permanece como símbolo de uma luta global contra o racismo, enquanto movimentos sociais seguem cobrando reformas estruturais e maior responsabilização das autoridades.
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