Energéticos em alta: especialistas alertam para riscos à saúde física e mental
Bebidas energéticas podem provocar problemas cardíacos, transtornos psíquicos e distúrbios do sono quando consumidas em excesso

Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF
As bebidas energéticas ganharam popularidade nas últimas décadas e passaram a fazer parte da rotina de milhões de pessoas que buscam mais disposição para estudar, trabalhar ou enfrentar longas jornadas. No entanto, especialistas alertam que o consumo frequente ou em excesso desses produtos pode trazer riscos importantes à saúde, afetando desde o sistema cardiovascular até o equilíbrio mental.
Comercializadas como estimulantes capazes de aumentar a energia, melhorar a concentração e reduzir o cansaço, as bebidas energéticas contêm grandes quantidades de cafeína e outros compostos estimulantes, como taurina e guaraná. Essas substâncias agem diretamente no sistema nervoso central, provocando uma sensação momentânea de alerta e disposição.
Além da cafeína, os energéticos geralmente contêm grandes quantidades de açúcar e outros ingredientes estimulantes que potencializam seus efeitos no organismo.
A absorção dessas substâncias pelo organismo acontece rapidamente, o que explica por que muitas pessoas sentem um aumento de energia poucos minutos após o consumo. Porém, esse efeito costuma durar pouco tempo. Em cerca de uma hora, a maior parte dos compostos já foi metabolizada pelo organismo, podendo ocorrer o chamado “efeito rebote”, quando o indivíduo sente cansaço ainda maior após o estímulo inicial.
Crescimento do consumo
Nos últimos anos, o consumo dessas bebidas cresceu de forma significativa em vários países. No Brasil, dados da indústria mostram que a produção de energéticos aumentou de 63 milhões de litros por ano em 2010 para 151 milhões em 2020.
Esse crescimento está associado principalmente ao estilo de vida acelerado da sociedade moderna, de modo que muitos consumidores recorrem às bebidas para compensar noites mal dormidas, aumentar o rendimento em estudos ou trabalho e enfrentar jornadas prolongadas de atividade.
Segundo especialistas, o problema é que esse uso frequente pode criar um ciclo prejudicial: a pessoa consome energético para se manter acordada, dorme menos e, no dia seguinte, sente novamente a necessidade de consumir a bebida para manter o desempenho.
Excesso de cafeína: principal risco
A principal preocupação dos profissionais de saúde em relação aos energéticos está na quantidade de cafeína presente nessas bebidas, já que uma única lata pode conter entre 80 e 300 miligramas da substância, dependendo da marca e do tamanho da embalagem.
De acordo com especialistas, a ingestão diária de cafeína para adultos saudáveis não deve ultrapassar 400 miligramas por dia, o equivalente a cerca de quatro ou cinco xícaras de café. Quando esse limite é ultrapassado, podem surgir diversos efeitos colaterais, como:
- nervosismo e ansiedade;
- dificuldade para dormir;
- tremores;
- aumento da frequência cardíaca;
- palpitações e taquicardia.
Em casos mais graves, o excesso de cafeína pode levar à intoxicação, com risco de complicações cardiovasculares e até parada cardíaca em situações extremas.
Impactos na saúde
Os efeitos dos energéticos no sistema cardiovascular também preocupam especialistas. A combinação de cafeína com outros estimulantes pode elevar a pressão arterial e acelerar os batimentos cardíacos, aumentando o risco de arritmias.
Além disso, quando consumidos em grandes quantidades ou misturados com álcool, os energéticos podem provocar picos de pressão e alterações no ritmo cardíaco. Os sintomas podem incluir falta de ar, palpitações no peito, tontura e mal-estar. Em algumas situações, pode ser necessário atendimento médico imediato.
Além dos impactos físicos, pesquisas também indicam que o consumo excessivo dessas bebidas pode afetar a saúde mental. Estudos citados por especialistas apontam associação entre o alto consumo de energéticos e o aumento de sintomas como ansiedade, irritabilidade e depressão.
Segundo pesquisadores, a cafeína em altas doses atua como um potente estimulante do sistema nervoso central. Isso pode provocar alterações no humor, aumento da agitação e dificuldade para dormir, fatores que influenciam diretamente o equilíbrio psicológico.
Também há indícios de que o consumo elevado esteja associado a comportamentos de risco, especialmente entre jovens, embora ainda sejam necessários mais estudos para compreender completamente essa relação.
Jovens e adolescentes são os mais vulneráveis
Especialistas demonstram preocupação especial com o consumo de energéticos por adolescentes. Embora muitos desses produtos sejam vendidos livremente, entidades médicas recomendam que crianças e jovens evitem a ingestão dessas bebidas.
Isso ocorre porque o organismo nessa fase da vida pode ser mais sensível aos efeitos da cafeína. Em adolescentes, o limite recomendado de ingestão diária da substância é muito menor que o dos adultos, podendo ser ultrapassado facilmente com apenas uma lata de energético.
Entre os possíveis efeitos estão hiperatividade, ansiedade, ganho de peso e aumento do risco de doenças cardiovasculares ao longo da vida.
Mistura com álcool aumenta riscos
Outro hábito comum, mas considerado perigoso, é a mistura de bebidas energéticas com álcool. Especialistas alertam que essa combinação pode mascarar os efeitos da embriaguez, fazendo com que a pessoa se sinta mais alerta do que realmente está.
Essa sensação enganosa pode levar ao consumo excessivo de álcool, aumentando o risco de acidentes, desidratação e complicações cardiovasculares.
Consumo moderado é a chave
Apesar dos riscos, especialistas destacam que o consumo ocasional de energéticos não costuma causar problemas para pessoas saudáveis. O principal cuidado está na moderação e na atenção à quantidade total de cafeína ingerida ao longo do dia.
Também é importante considerar outras fontes da substância, como café, chás, refrigerantes e chocolate.
Alternativas mais saudáveis para ter energia
Especialistas recomendam que, em vez de recorrer constantemente a bebidas energéticas, as pessoas adotem hábitos que promovam disposição de forma natural. Entre as principais recomendações estão:
- manter uma rotina de sono adequada;
- praticar atividade física regularmente;
- manter uma alimentação equilibrada;
- hidratar-se corretamente ao longo do dia.
Essas medidas ajudam o organismo a manter níveis de energia mais estáveis e reduzem a necessidade de estimulantes artificiais.
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