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Racismo volta a se repetir no futebol e expõe a fragilidade das punições

Sequência de episódios recentes reforça um padrão de impunidade, respostas institucionais frágeis e ausência de medidas efetivas contra crimes de discriminação no esporte

| Autor: Daniel Fischmann
Racismo volta a se repetir no futebol e expõe a fragilidade das punições

Foto: PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP

O futebol mundial voltou a ser atravessado por novos episódios de racismo nas últimas semanas, reacendendo um debate que já não é mais apenas sobre conscientização, mas sobre impunidade. A repetição dos casos evidencia que o problema não está apenas na ocorrência dos ataques, mas na incapacidade das estruturas esportivas de gerar punições firmes, rápidas e exemplares.

Um dos episódios de maior repercussão envolveu Prestianni, acusado de proferir ofensas racistas contra Vinícius Júnior durante a partida entre Benfica e Real Madrid, pela Champions League, em Lisboa. O caso gerou indignação pública, manifestações de clubes, abertura de apuração e notas institucionais, mas, até o momento, segue sem punição concreta definida, repetindo um padrão já conhecido no futebol: processos longos, respostas lentas e desfechos pouco efetivos.

Outro caso recente ocorreu na Inglaterra, com Wesley Fofana, que foi alvo de ataques racistas nas redes sociais após o jogo entre Chelsea e Burnley, pela Premier League. Na mesma partida, o meio-campista tunisiano Hannibal Mejbri também recebeu mensagens racistas, ampliando a dimensão do episódio e reforçando o caráter coletivo e recorrente desse tipo de violência. As manifestações de repúdio vieram rapidamente, assim como comunicados oficiais de clubes e entidades, mas novamente sem medidas objetivas que resultassem em responsabilização direta dos autores, reforçando a sensação de que o combate ao racismo permanece mais simbólico do que prático.

Tolu Arokodare também denunciou ofensas racistas sofridas na Inglaterra, durante o jogo entre Wolverhampton e Crystal Palace, pela Premier League, ampliando a lista de episódios recentes no futebol europeu. Assim como nos outros casos, a resposta institucional se concentrou em investigações e declarações públicas, sem sanções imediatas ou medidas que produzissem impacto real.

O que esses episódios têm em comum não é apenas o crime em si, mas a forma como ele é tratado: protocolos são acionados, notas são publicadas, campanhas são reforçadas — mas as punições quase nunca acompanham a gravidade dos fatos. O resultado é a construção de um ambiente onde o racismo gera repercussão midiática, mas raramente gera consequências proporcionais.

Na prática, cria-se uma lógica de impunidade estrutural. Torcedores, atletas ou agentes envolvidos em atos racistas seguem sem sanções exemplares, enquanto as vítimas continuam expostas, revitimizadas e obrigadas a transformar denúncias em resistência pública. A ausência de decisões firmes transforma o discurso institucional em algo frágil, repetitivo e pouco efetivo.

O futebol, como espaço de enorme impacto social, acaba reproduzindo um paradoxo: condena o racismo no discurso, mas falha em combatê-lo na prática. Sem punições rápidas, duras e transparentes, os casos continuam se acumulando, e o combate à discriminação segue limitado à retórica, sem transformação estrutural real.

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