NotíciasEconomiaPresidente da ApexBrasil afirma que 'tarifaço' de Trump pode acelerar acordo do Mercosul com a UE

Presidente da ApexBrasil afirma que 'tarifaço' de Trump pode acelerar acordo do Mercosul com a UE

O acordo foi firmado em dezembro de 2024

| Autor: Redação

Foto: Reprodução/ TV Brasil

O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana, afirmou nesta quinta-feira (03), que as tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, podem acelerar a implementação do acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE). Em entrevista durante um evento em Brasília, Viana destacou que líderes europeus já sinalizaram a intenção de agilizar a validação do tratado, assinado em dezembro de 2024, como resposta ao protecionismo americano. “Nós já ouvimos manifestações de que eles querem correr com isso”, declarou, referindo-se ao impacto do chamado “tarifaço” na economia global.

O acordo Mercosul-UE, concluído após mais de 25 anos de negociações, promete criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, abrangendo 780 milhões de consumidores e eliminando tarifas para 97% dos bens industriais e 77% dos agrícolas do Mercosul em até dez anos. Para Viana, o avanço do protecionismo nos EUA, com tarifas que podem chegar a 20% sobre importações, pressiona a Europa a buscar alternativas comerciais, beneficiando o bloco sul-americano. Ele estima que o Brasil poderia aumentar suas exportações para a UE em até US$ 7 bilhões no curto prazo, especialmente em setores como café, carne e calçados, aproveitando as 242 linhas tarifárias que terão desgravação imediata ou em até quatro anos.

Apesar do otimismo, o presidente da Apex ponderou que o Brasil não deve se limitar a explorar vantagens conjunturais. “Não podemos só olhar o que ganhamos com o tarifaço. Precisamos defender o multilateralismo, porque uma guerra comercial é ruim para todos”, alertou. A visão ecoa declarações recentes do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que enxerga o acordo como uma barreira contra a bipolarização econômica global. A UE, segundo maior parceiro comercial do Brasil, viu sua participação no comércio exterior brasileiro cair de 23% em 2003 para 13,6% em 2023, e o tratado pode ser uma chance de reverter essa tendência, diversificando a pauta exportadora com produtos de maior valor agregado.

A possibilidade de aceleração do acordo, no entanto, enfrenta desafios internos na Europa, onde países como a França resistem devido a preocupações com o impacto na agricultura local. Ainda assim, a pressão das tarifas americanas parece estar mudando o cenário. António Costa, presidente do Conselho Europeu, já pediu celeridade na ratificação de acordos comerciais, incluindo o Mercosul-UE, enquanto Ursula von der Leyen, chefe da Comissão Europeia, sinalizou um “plano sólido” contra o protecionismo de Trump.

Tags

Notícias Relacionadas