Dólar volta a subir e bate R$ 5,83
Tarifas impostas por Governo Trump podem ter relação com alta do dólar

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O dólar comercial disparou nesta sexta-feira (4), e fechou cotado a R$ 5,8355, registrando uma alta de 3,68%, a maior valorização diária desde 22 de abril de 2022. A escalada da moeda americana veio na esteira do anúncio da China de que retaliará as novas tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com uma sobretaxa de 34% sobre todos os produtos norte-americanos, a partir desta quinta-feira (10). A medida é uma resposta direta ao "tarifaço" de Trump, anunciado na quarta-feira (2), que elevou a taxação de produtos chineses para 54%, somando-se a tarifas anteriores, e gerou temores de uma guerra comercial global. No Brasil, o real foi pressionado, acompanhando a desvalorização de outras moedas de países emergentes e exportadores de commodities.
O impacto da retaliação chinesa reverberou nos mercados financeiros, com o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, despencando 2,96% e fechando aos 127.256 pontos, sendo o menor nível desde meados de março. A queda reflete a aversão ao risco desencadeada pela escalada das tensões entre as duas maiores economias do mundo, que também anunciou restrições às exportações de terras raras para os EUA, materiais essenciais para a produção tecnológica. Analistas apontam que o avanço do dólar frente ao real foi agravado pela queda de 6% no preço do petróleo Brent, que fechou a US$ 65,58 o barril, e pela expectativa de uma recessão global, com o Bank of America estimando uma possível redução de 0,5% a 0,7% no PIB mundial ainda neste ano.
No cenário doméstico, a balança comercial brasileira, que registrou superávit de US$ 8,155 bilhões em março, pode ser afetada a longo prazo, segundo especialistas, devido à queda na demanda por commodities e ao encarecimento de produtos importados. Enquanto isso, o mercado monitora os próximos passos do Federal Reserve (Fed), que pode antecipar cortes de juros para mitigar os efeitos econômicos nos EUA, e as reações de outros países às tarifas americanas. Por ora, o dólar em alta e a bolsa em queda sinalizam um período de volatilidade, com investidores aguardando os desdobramentos da política protecionista de Trump e suas consequências para o comércio internacional.