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Missionário suspeito de matar filho de 3 anos fez os cinco partos da família em casa

Família vivia sob um cenário marcado por suposta submissão, privação de liberdade e influência religiosa extrema

| Autor: Redação - Varela Net
Missionário suspeito de matar filho de 3 anos fez os cinco partos da família em casa

Foto: Reprodução/Redes sociais

A morte de Oliver Golden Grayson, de 3 anos, após ser espancado pelo pai, Dandre Jermaine Grayson, de 33 anos, em Viamão, no Rio Grande do Sul, no dia 5 de julho, teria sido precedida por anos de isolamento e controle dentro do ambiente familiar. Segundo advogados que representam a mãe da criança, Mayanna Angelina Rodgers, de 29 anos, a família vivia sob um cenário marcado por suposta submissão, privação de liberdade e influência religiosa extrema.

A defesa de Mayanna é feita voluntariamente por três advogados ligados à ONG Rede Brilhe, instituição que atua no apoio a mulheres em situação de vulnerabilidade. Eles afirmam que a mulher teria sido impedida de buscar ajuda durante anos e descrevem uma relação em que o marido exercia domínio sobre decisões pessoais e familiares.

Mayanna se casou com Dandre aos 19 anos. Após o casamento, o casal deixou os Estados Unidos e passou a viver no Brasil, passando por outros dois estados antes de chegar ao Rio Grande do Sul. A mulher nasceu no Japão, filha de pais norte-americanos, e possui dupla cidadania.

“Ela era impedida por ele de pedir socorro. Há nove anos o sistema como um todo falha com essa família, porque é uma estrangeira num país que ela não conhece a lei, não tem nenhum familiar perto e uma rede completa falhou na proteção dela e das crianças”, afirma a advogada Isabel Cochlar.

Segundo o advogado André von Berg, Mayanna era uma “mulher absolutamente dominada” e “não tinha nenhum poder sobre a vida dela”. A defesa afirma que ela não tinha acesso a recursos financeiros, telefone celular, televisão ou rádio, além de ser impedida de manter contato com familiares nos Estados Unidos.

“Ele proibiu o contato dela com a família. Ela ficou nove anos sem poder falar com os pais. Quando eles mandavam e-mail, ele respondia no lugar dela”, relata Isabel.

Os advogados também afirmam que Mayanna não tinha liberdade para deixar as casas onde a família morou nos últimos anos. De acordo com André, até os nascimentos dos cinco filhos teriam ocorrido dentro de casa, sem acompanhamento médico.

“Os partos todos foram feitos em casa por ele. Então, a gente vê que existe uma grande submissão”, afirma o advogado.

Partos em casa e ausência de acompanhamento médico

A defesa relata que Dandre, que se apresentava como missionário norte-americano, teria impedido que a esposa realizasse acompanhamento pré-natal durante as cinco gestações. O casal teve cinco filhos, com idades entre 1 e 9 anos.

Segundo relatos apresentados pelos advogados, o argumento usado pelo homem era de que a exposição do corpo da mulher em um hospital representaria uma violação da intimidade e uma prática considerada inadequada dentro da visão religiosa seguida por ele.

Ainda conforme a defesa, o isolamento social imposto por Dandre teria sido uma forma de dificultar que possíveis situações de violência fossem descobertas. As crianças só teriam passado a frequentar a escola porque a família precisava cumprir uma exigência para receber o benefício do Bolsa Família.

Casamento nos Estados Unidos e mudança para o Brasil

A história do casal teria começado de forma diferente, em uma cidade do interior da Geórgia, nos Estados Unidos. Com o apoio da família, Mayanna se casou há cerca de dez anos com Dandre, que era visto como um homem ideal e compartilhava da mesma igreja da família dela.

O missionário era admirado pelo comportamento religioso, principalmente pelo pai de Mayanna, um militar que havia trabalhado para o governo norte-americano durante seis anos no Japão, país onde a filha nasceu.

Após o casamento, Dandre teria dito à esposa que possuía uma missão no Brasil. Mesmo sem uma explicação considerada clara pela família, os dois decidiram viajar para o país.

Segundo Isabel Cochlar, a mudança teria sido acompanhada por um afastamento progressivo de Mayanna dos familiares.

“Ela tinha 19 anos. Sequer havia terminado o ensino médio. Quando chegaram, ele cortou todas as relações dela com a família. Os e-mails enviados pelo pai de Mayanna eram respondidos pelo marido, que se passava por ela”, expõe a advogada.

A defesa afirma que a mulher também desconhecia serviços públicos disponíveis no Brasil, como o atendimento pré-natal pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e os mecanismos de proteção previstos pela Lei Maria da Penha.

“Mayanna é vítima, assim como as crianças, de um ambiente de controle emocional, físico e espiritual”, destaca Isabel.

A mãe é investigada por suposta omissão e conivência na morte de Oliver. Já Dandre Jermaine Grayson, que ainda não teria constituído advogado, deve ser acompanhado pela Defensoria Pública.

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