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Mãe de Eliza Samúdio desabafa após notícias sobre passaporte encontrado: "Minha filha está morta"

Mãe de Eliza Samúdio criticou a forma como é tratada a história da filha e pediu respostas sobre o passaporte encontrado

| Autor: Redação - Varela Net
Mãe de Eliza Samúdio desabafa após notícias sobre passaporte encontrado: "Minha filha está morta"

Foto: Reprodução / Redes Sociais

A mãe de Eliza Samudio, morta há quase 15 anos, se pronunciou nas redes através de um grande desabafo para falar sobre o achado do passaporte da filha em uma casa em Portugal. No texto muito emotivo, Sônia se pronunciou sobre a nova exposição do caso, que reabre feridas ainda não cicatrizadas. Ao compartilhar seus sentimentos, ela cobrou respostas com respeito e cuidado. 

Sonia iniciou enfatizando a angústia sentida de reviver a perda da filha, destacando que, apesar de Eliza já não estar entre nós, as cicatrizes emocionais ainda são muito profundas e frequentemente reabertas pela mídia através de imagens e notícias ao revelarem novas informações sobre o caso. Para a mãe, ela classifica que toda vez que o nome de Eliza é novamente exposto, é como se a dor do luto fosse renovada. 

Em outro momento do texto, Sonia não poupou críticas à maneira como o caso foi tratado, ressaltando que há "fatos mal explicados" e "coincidências" que não se encaixam. Segundo ela, a forma como a história é abordada só agrava o sofrimento da família, ao criar uma sensação de que o caso nunca será finalizado de maneira justa. "Cada exposição desnecessária reabre a ferida, aumenta o vazio e transforma a saudade em revolta", escreveu.

PASSAPORTE ENCONTRADO

O passaporte de Eliza foi encontrado no final de dezembro e exposto para o Brasil no início de janeiro. Ele foi encontrado por um homem em uma casa alugada em Portugal. Em entrevista ao Leo Dias, o homem que achou o documento afirmou que, ao abri-lo, sabia imediatamente de quem pertencia, devido à repercussão mundial do crime. 

O documento estava expirado e apresentava apenas um registro de entrada no país europeu, sem o símbolo de saída. O documento foi encontrado em cima de um livro, na estante da casa. O Itamaraty foi acionado e informou que o passaporte será enviado para Brasília, ficando à disposição da família, caso decida retirá-lo. Caso contrário, será destruído pelo governo, já que passaportes pertencem ao Estado Brasileiro. 

Mesmo contando com o carimbo de entrada em Portugal, o documento não apresenta nenhum símbolo de saída, o que levanta questionamentos sobre o retorno de Eliza, que precisou de uma Autorização de Retorno ao Brasil (ARB), emitida por autoridades portuguesas. 

Ao final, Sonia Fátima Moura, mãe de Eliza Samudio, deixou claro que continuará buscando respostas e que, apesar de seu silêncio momentâneo, a dor de perder sua filha e o vazio de não ter justiça seguem presentes.

LEIA A NOTA NA ÍNTEGRA

"Em relação à matéria publicada ontem sobre o passaporte da minha filha, que acabou viralizando, tudo o que tenho a dizer, neste momento, vem de um lugar de profunda dor e exaustão emocional. Dói constatar que ainda existam profissionais da imprensa que escolham ignorar a sensibilidade, a ética e a responsabilidade, deixando de investigar os fatos com seriedade e de publicar uma matéria honesta e verdadeira.

Aprendi, da forma mais dura possível, que não se pode esperar humanidade, respeito ou atitudes profissionais de pessoas pequenas diante de uma dor que elas nunca precisaram sentir.

Minha filha está morta. E essa é uma frase que nenhuma mãe deveria repetir todos os dias para si mesma. Ela carrega uma saudade que aperta o peito, que sufoca, que nunca descansa.

E, mesmo assim, dói ainda mais ver a imagem da minha filha sendo usada como se fosse um instrumento para gerar audiência, dinheiro e fama. Cada exposição desnecessária reabre a ferida, aumenta o vazio e transforma a saudade em revolta. Minha filha tinha uma história, sonhos, um sorriso, e não pode ser reduzida a uma manchete fria.

A história divulgada está cheia de lacunas, coincidências e pontos que não se encaixam. Não acredito que tudo tenha acontecido de forma aleatória. Há fatos mal explicados, perguntas sem respostas e uma condução que apenas amplia a angústia de quem já vive um luto permanente. Essas lacunas não são detalhes – elas pesam, machucam e gritam por esclarecimento.

Neste momento, escolho me manter em silêncio para tentar sobreviver à saudade, para tentar respirar em meio à dor e preservar o pouco de paz que ainda consigo reunir para mim e para minha família. Mas tenham certeza: vou exigir das autoridades todas as respostas que ainda não foram dadas.

Essa é uma história marcada por muitas lacunas, e elas precisarão ser esclarecidas, porque minha filha merece respeito, verdade e justiça.”

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