Bate-papo entre Pedro Bial e neurocientista sobre maconha volta a viralizar nas redes
Especialista esclarece os principais efeitos da cannabis no organismo, defende o avanço das pesquisas científicas e explica por que a proibição da substância, segundo ele, não teve origem em evidências médicas

Foto: TV Globo
Uma entrevista exibida em 2018 no programa Conversa com Bial voltou a repercutir nas redes sociais ao trazer uma discussão sobre os efeitos da maconha, o uso medicinal da cannabis e as razões que levaram à criminalização da substância no Brasil e em outros países.
Na ocasião, o apresentador Pedro Bial reuniu o neurocientista Stevens Rehen, o rapper MV Bill e o antropólogo e especialista em segurança pública Luiz Eduardo Soares para um debate sobre regulamentação da cannabis. Também participaram familiares de uma criança usuária de cannabis medicinal e a argentina Alicia Castilla, pioneira no autocultivo da planta no Uruguai.
Durante a conversa, Stevens Rehen afirmou que a ciência precisa ocupar um papel central no debate sobre o tema e fez declarações que repercutem até hoje.
"Em toda a literatura médica, não há um único caso de overdose associado à maconha", afirmou o neurocientista.
Rehen também questionou as origens da proibição da cannabis, defendendo que ela não teria sido motivada por critérios científicos.
"A base da proibição foi racial, econômica e política. Nenhuma base científica", disse.
Ao explicar os efeitos da substância, o pesquisador destacou que a cannabis possui um componente psicoativo, mas não é considerada um alucinógeno. Segundo ele, os efeitos variam conforme a dose utilizada.
"Os principais efeitos são aumento de apetite, relaxamento e euforia. Dependendo da dosagem, pode causar ansiedade, taquicardia, lapsos de memória e falta de motivação", explicou.
O neurocientista também abordou o uso medicinal da cannabis e chamou atenção para o alto custo enfrentado por pacientes que dependem dos medicamentos derivados da planta.
"O preço do medicamento é muito caro para importar. Custa entre R$ 1 mil e R$ 3 mil por mês. É inviável para a maioria das famílias brasileiras", afirmou.
Na entrevista, Rehen ainda defendeu a ampliação das pesquisas científicas envolvendo a cannabis, argumentando que a produção de conhecimento depende de menos restrições ao estudo da planta.
"É preciso liberdade para pesquisar, importar, plantar e extrair compostos. Isso acelera a pesquisa e pode ajudar a identificar novos potenciais da maconha na área médica", concluiu.
Embora o programa tenha sido exibido há oito anos, o debate voltou a ganhar destaque nas redes em meio às discussões sobre política de drogas, uso medicinal da cannabis e os diferentes tratamentos dados pelo sistema de Justiça aos usuários da substância. O tema segue dividindo opiniões e envolve aspectos científicos, médicos, jurídicos e sociais.
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