NotíciasBahiaDo “bunker de Geddel” a Jerônimo: relembre a trajetória política de Gustavo Ferraz

Do “bunker de Geddel” a Jerônimo: relembre a trajetória política de Gustavo Ferraz

Gustavo Ferraz é ex-aliado do político baiano Geddel Vieira Lima

| Autor: Redação - Varela Net
Do “bunker de Geddel” a Jerônimo: relembre a trajetória política de Gustavo Ferraz

Foto: Divulgação

O empresário e ex-militante político Gustavo Ferraz foi flagrado, nesta terça-feira (15), colando cartazes de Jerônimo Rodrigues, candidato do PT ao governo da Bahia, em um muro na região de Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador.

Durante o ato, Ferraz foi questionado se havia mudado de posição política. Em resposta, virou-se, fez um gesto obsceno e disse: “Chupa minha p*”.

Após a repercussão, Ferraz afirmou nas redes sociais que estava fazendo uma campanha de oposição à Prefeitura de Lauro de Freitas, atualmente comandada por Débora Regis. Ele também declarou que tem o direito de se manifestar politicamente.

Quem é Gustavo Ferraz

Gustavo Ferraz é ex-aliado do político baiano Geddel Vieira Lima e ganhou notoriedade nacional após ter suas digitais identificadas em cédulas e materiais relacionados aos R$ 51 milhões encontrados em um apartamento em Salvador. O imóvel ficou conhecido como o “bunker de Geddel”.

Antes de ganhar projeção com o caso, Ferraz já tinha trajetória na política baiana. Em 2016, disputou a eleição municipal de Lauro de Freitas como candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada pelo então vereador Mateus Reis (PSDB). A dupla recebeu cerca de 40% dos votos, mas perdeu a disputa para Moema Gramacho (PT).

No ano seguinte, Ferraz foi nomeado pelo então prefeito de Salvador, ACM Neto, para comandar a Defesa Civil de Salvador (Codesal). À frente do órgão, participou de projetos da administração municipal, entre eles a “Operação Chuva”, voltada à prevenção e ao enfrentamento dos problemas provocados pelo período de chuvas na capital baiana.

 Caso do “bunker” de Geddel

A trajetória política de Ferraz foi interrompida após ele ser preso preventivamente no âmbito da Operação Cui Bono, que investigava suspeitas de fraudes envolvendo a Caixa Econômica Federal. Na mesma ocasião, ele foi exonerado do cargo na Codesal.

A prisão ocorreu durante as investigações sobre os R$ 51 milhões em espécie encontrados no apartamento atribuído a Geddel Vieira Lima. Segundo a investigação, Ferraz teria participado do transporte de parte dos valores.

Em depoimento à Polícia Federal, ele admitiu ter ido a São Paulo buscar uma quantia a mando de Geddel e levado o dinheiro para Salvador. Ferraz, porém, afirmou que acreditava que os recursos seriam destinados a atividades políticas e campanhas eleitorais, enquanto sua defesa sustentou que ele não era o proprietário do dinheiro.

As investigações identificaram impressões digitais de Geddel e de Ferraz em cédulas e materiais relacionados ao dinheiro apreendido.

 Prisão e decisão do STF

A prisão preventiva de Ferraz foi posteriormente convertida em prisão domiciliar pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), com a imposição de medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. Meses depois, as restrições foram revogadas e ele recuperou a liberdade.

Em 2018, a Segunda Turma do STF rejeitou, por unanimidade, a denúncia de lavagem de dinheiro apresentada contra Ferraz. O relator, ministro Edson Fachin, entendeu que a conduta atribuída a ele, do transporte de valores de São Paulo para Salvador, a pedido de Geddel, não preenchia os requisitos necessários para caracterizar o crime previsto na Lei nº 9.613/1998.

Com a decisão, Ferraz não se tornou réu por lavagem de dinheiro relacionada ao episódio. Na mesma sessão, o STF recebeu a denúncia contra Geddel Vieira Lima, Lúcio Vieira Lima, Marluce Vieira Lima, Job Ribeiro Brandão e Luiz Fernando Machado da Costa Filho.

 Relação com Geddel

Em entrevista à Folha de S.Paulo em 2018, Ferraz afirmou que era funcionário do partido de Geddel e negou ser amigo pessoal do político. Segundo ele, sua participação no episódio se limitou ao cumprimento de ordens para transportar os valores.

Apesar de suas digitais terem sido identificadas no material relacionado ao dinheiro apreendido, a denúncia de lavagem de dinheiro contra Ferraz foi rejeitada pelo STF.

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